Em contextos de instabilidade internacional, Alex Nabuco dos Santos chama atenção para um movimento recorrente do capital global: a busca por ativos capazes de preservar valor quando o risco sistêmico se eleva. Em 2026, conflitos regionais, disputas comerciais e fragilidade das cadeias globais voltaram a pressionar mercados financeiros, reacendendo o interesse por ativos reais considerados safe haven. Nesse ambiente, o imóvel físico reassume protagonismo como instrumento de proteção patrimonial, ainda que de forma seletiva.
A lógica por trás desse movimento não está associada à expectativa de ganhos rápidos, mas à necessidade de reduzir exposição a volatilidades extremas. Quando moedas oscilam, títulos sofrem reprecificação abrupta e ativos financeiros se tornam altamente correlacionados, o capital passa a privilegiar estruturas tangíveis, com uso claro e demanda recorrente.
O conceito de “safe haven” aplicado ao imobiliário
Na interpretação de Alex Nabuco dos Santos, tratar o imóvel como porto seguro exige cautela conceitual. Nem todo ativo imobiliário cumpre essa função. O safe haven imobiliário não é definido pelo segmento em si, mas pela combinação entre localização, liquidez estrutural, uso essencial e baixa dependência de ciclos especulativos.
Em momentos de tensão geopolítica, imóveis que atendem necessidades básicas de moradia, trabalho ou serviços tendem a manter relevância. A segurança patrimonial decorre menos do glamour do ativo e mais da sua função econômica real dentro da cidade.
Capital silencioso e movimentos não ostensivos
Alex Nabuco dos Santos explicita que a migração para imóveis como porto seguro raramente ocorre de forma ruidosa. Diferentemente de fluxos financeiros visíveis em bolsas e mercados de câmbio, o capital imobiliário se desloca de maneira gradual e discreta. São decisões individuais ou institucionais, tomadas fora do noticiário, mas que, somadas, sustentam preços e liquidez.
Esse capital silencioso não busca protagonismo. Ele busca estabilidade. Por isso, tende a priorizar mercados conhecidos, com arcabouço jurídico previsível e histórico de preservação de valor. O movimento não gera euforia, mas cria base de sustentação em períodos prolongados de incerteza.

Geopolítica e preferência por ativos locais
Outro ponto destacado por Alex Nabuco dos Santos é que cenários de tensão internacional reforçam a preferência por ativos localizados em mercados domésticos compreendidos pelo investidor. O risco de exposição cambial, restrições a fluxos internacionais e mudanças regulatórias abruptas faz com que o capital privilegie o que está ao alcance do controle direto.
Nesse contexto, o imóvel local funciona como âncora patrimonial. Ele reduz dependência de decisões externas e oferece previsibilidade relativa em meio a um ambiente global fragmentado. Essa característica explica por que o interesse por imóveis cresce mesmo quando o apetite por risco diminui.
Liquidez relativa em tempos de estresse
Alex Nabuco dos Santos ressalta que a liquidez dos imóveis safe haven deve ser analisada de forma relativa. Em períodos de estresse, nenhum ativo é plenamente líquido. Ainda assim, imóveis bem posicionados tendem a manter maior capacidade de negociação do que ativos periféricos ou altamente especializados.
A liquidez, nesse caso, não está no volume de transações, mas na capacidade de preservar valor sem concessões extremas. O imóvel que atravessa o período sem necessidade de ajustes agressivos cumpre sua função de proteção, mesmo que o mercado esteja menos ativo.
O que diferencia proteção de imobilismo
Por fim, Alex Nabuco dos Santos faz uma distinção relevante: buscar proteção não significa imobilizar o patrimônio. O imóvel safe haven não é aquele que nunca é negociado, mas aquele que oferece liberdade de escolha. Ele permite manter, alugar ou vender sem urgência, mesmo em cenários adversos.
Essa liberdade é o verdadeiro valor do porto seguro. Em um mundo marcado por incertezas recorrentes, ativos que preservam opções se tornam mais valiosos do que aqueles que prometem retornos máximos. No mercado imobiliário, a segurança não está no discurso, mas na capacidade do ativo de atravessar o tempo sem perder relevância econômica.
Autor: Janice Wagner